Existem muitas histórias diferentes sobre a origem da escolha da data 8 de março para comemoração ao Dia Internacional da Mulher. A mais difundida delas conta que nessa data, no ano de 1857, centenas de operárias de uma fábrica têxtil em Nova York – depois de semanas em greve pela redução da jornada de trabalho de 16h para 10h, salários equiparados aos homens e condições mais justas de trabalho – realizaram uma grande manifestação, que foi brutalmente reprimida pela polÃcia. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada, matando mais de 100 manifestantes.
Na verdade, porém, essa versão não tem nenhuma comprovação histórica. Esse incêndio realmente aconteceu, mas em 25 de março de 1911. Quando o fogo começou, os portões estavam trancados para que os operários, em sua maioria jovens mulheres imigrantes, não fugissem nem roubassem nada – o que resultou na morte de 147 deles e fortaleceu o debate mundial pelos direitos trabalhistas.
Paralelamente, em todo o mundo, crescia o movimento feminista pelo direito ao voto e pelo fim da opressão e da exploração feminina.
Já em 1910, no II Congresso de Mulheres Socialistas, a socialista alemã Clara Zetkin, ativista pelos direitos da mulher, havia proposto a instituição de um Dia Internacional da Mulher, como forma de celebrar e fortalecer a luta feminina por direitos trabalhistas, polÃticos e sociais.
A partir de 1922, a data passou a ser comemorada em 8 de março e, em 1975, a ONU incluiu oficialmente essa data em seu calendário, tanto para lembrar as conquistas das mulheres como as discriminações e as violências a que muitas delas (ainda hoje) estão sujeitas em todo o mundo.
No Brasil, uma das mais importantes conquistas femininas recentes foi a aprovação da Lei número 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, decretada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Lula em 7 de agosto de 2006, que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.
Um estudo, divulgado hoje pelo SEADE, em São Paulo, mostra que, apesar das conquistas crescentes das mulheres em todos esses anos, ainda temos um bom caminho a percorrer para que o mercado de trabalho brasileiro ofereça as mesmas oportunidades para ambos os gêneros. Veja algumas conclusões desse boletim:
- A participação feminina no mercado de trabalho vem crescendo desde os anos 1990. A taxa hoje, na região metropolitana de São Paulo é de 55% – maior até que a média dos paÃses da União Europeia (44,8%).
-  O rendimento médio real por hora das mulheres que trabalham aumentou 3,0% entre 2000 e 2009. Apesar disso, ainda corresponde a 79,8% do rendimento médio de seus colegas homens, mas a diferença vem caindo.
- O trabalho doméstico remunerado é o único segmento em que as mulheres ocupam a maioria das vagas (96,2% em 2009), em afazeres que historicamente estiveram ligados às habilidades consideradas femininas, tais como cozinhar, limpar, lavar, passar e cuidar de crianças.
Para saber mais sobre o assunto:
- Dia Internacional da Mulher – Em busca da memória perdida












